Os “petralhas” e o futuro do Brasil
Um caro amigo, diante dessa minha “campanha” diária, sempre ávido por ler o próximo “post”, seguramente para que, no caso do pior acontecer, ter motivos para “zuar a minha cara” depois, me respondeu ontem com um email.
O email dele dizia o seguinte:
“Os petralhas estão com medo do segundo turno einh… Dilma, aborte essa idéia…”
Esse amigo é, evidentemente um eleitor do Serra. Não me cabe aqui explicar o porque. Isso implicaria em expô-lo excessivamente, destrinchando seus traços de personalidade e história pessoal que, decerto, justificam sua posição. Saliento apenas que hoje ele também mora na Europa. Provavelmente, num dos países mais afetados pela atual crise financeira. Mas, graças a Deus, ele é demasiado preguiçoso para ir ao consulado brasileiro votar. Basta dizer que, no caso dele, não é, como também não é em muitos outros casos, por ser um mal caráter que ele vota ou votaria do Serra. É só por não ter tido a oportunidade de desenvolver uma consciência da “res publica” mesmo.
Mas mesmo assim, gostaria de respondê-lo, pois isso permitiria esclarecer mais uma vez e ainda melhor qual é a minha posição nesse debate, e aproveitar para comentar outros temas.
Em primeiro lugar, quero dizer que compartilho da opnião dele. Tenho certeza de que os “petralhas” estão morrendo de medo do segundo turno. Isso significaria muitas perdas para eles. Cargos públicos de prestígio… dinheiro público… e todas essas coisas. No entanto, no meu caso, e no de tantos outros brasileiros, o medo não é do segundo turno. O medo é dos próximos quatro anos, e o que pode ser feito do Brasil nesse período.
Como já disse tantas vezes, não sou um petista, e muito menos um “petralha”. Assim como não sou um “PSDBista”, e muito menos um “PSDBosta”. Desafio qualquer um, que possa dizer que já tenha me visto em qualquer momento até o final da semana passada, levantar bandeira de partido político, ou, principalmente, me engajar em uma campanha política em qualquer nível. Provavelmente alguém poderá dizer que já me viu discutindo política em algum buteco, e nesse caso, muito provavelmente a favor do Lula. No entando, tirando algumas horas do meu dia, diariamente (a troco do que?) para me engajar em uma campanha política, ninguém poderá dizê-lo. Simplesmente, porque nunca o fiz. Nem mesmo, quando era Lula o candidato. Jamais, sequer, preguei um simples adesivo no meu carro, ou vesti uma camisa. Jamais.
No entanto, dessa vez eu me engajei. E porque?
Certamente não é porque espero favores do PT. Na realidade, estou cagando e andando para o PT, os petralhas, o PSDB e o PSDBosta. Mas não estou cagando e andando para o Brasil. Pelo contrário, estou sim, cagando nas calças de medo de ver o meu país cair, de novo, nas mãos das pessoas que o José Serra representa. Ao contrário do que pensa esse meu amigo, o José Serra não o representa.
Quem, ou o que, o José Serra representa? Basicamente, e de forma simples, crua e direta: o José Serra representa o capital. Não que a Dilma também não o represente. No entanto, existem maneiras diversas de lidar com o capital. E no próximo post eu falo mais claramente a esse respeito. Aqui, só exponho um pouco mais o José Serra.
Se o José Serra for presidente do Brasil, o que nós veremos? Nós veremos, mais uma vez, o Brasil ser entregue, de bandeija, ao capital. Destaco, entre tantas coisas possíveis, uma apenas. O petróleo, a petrobrás, e o pré-Sal. Ninguém tem a menor dúvida do valor que isso representa. A questão é, quem “gozará” desse valor? O José Serra não disse, nenhuma vez em sua campanha, que iria “privatizar” a petrobrás e o pré-Sal. Mas também não disse nenhuma vez que não iria. Por outro lado, ele disse que ia “aumentar o salário mínimo, dar 10% de aumento aos aposentados, criar o 13o do bolsa esm… bolsa vagab… quer dizer, do bolsa família”… bla bla bla… Enfim…
No entanto, o Sr. Zylbertajn, genro de FHC, que foi o presidente da Petrobrás e tentou transformá-la em “petrobrax” no período FHC (nepotismo?), e que é um dos assessores técnicos da campanha do José Serra, já deu um sinal, como pode ser visto aqui.
Além disso, o José Serra, com ele diz, tem história, tem biografia, todo mundo o conhece. Se você ainda não, então dê uma olhadinha, por exemplo aqui. E caso tenha um pouco mais de paciência, faça também uma pesquisa e, inclusive, não deixe de ler também a longa e entendiante “biografia” oficial no site da campanha dele, onde o milagre das privatizações, inclusive, nem é mencionado. Milagre, o digo, porque só assim posso entender como alguém consegue vender tudo que tem, e no final ainda aumentar sua dívida.
Mas bem, esse é, sem dúvida, o núcleo central do pensamento que me faz “ter medo” do José Serra como presidente. Existe uma infinidade de outras coisas. Hoje, por exemplo, conversando com minha esposa, tivemos um “pesadelo conjunto”. Imaginamos o José Serra, presidente do “Brazil”, no discurso de abertura da copa do mundo de 2014: “Eu, que criei o futebol, lutei muito e, graças à minha inteligência e à minha capacidade de negociação, consegui trazer a Copa do Mundo para o Brazil. E não foi só isso. Eu, que fui o primeiro a correr até a cidade grega de Marathon para entregar uma mensagem de vitóra, com o apoio de meu vice, o Índio da Costa, consegui também trazer para o Brazil, em breve, as Olimpíadas!”. O José Serra, se puder, vende espaço publicitário na banderia do país.
Pois é meus queridos. Esse é o José Serra. Um grande SPAM. Um grande e enorme – e para quem sabe ler um pingo é letra – um grande e enorme Ato Falho, que, espero, não se transforme em um sintoma.
O que eu espero da Dilma? Qualquer coisa que ela fizer que seja “melhor” do que tem feito o Lula, já tá muito bom. Se só continuar as políticas do Lula, já tá bom.
Mais tarde eu volto, agora tenho que arrumar cozinha.
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