Cidadania Italiana
Pronto…
Agora sou um cidadão italiano. Segunda feira, dia 11 de maio, assinei os documentos e fiz a carteira de identidade italiana. É uma sensação interessante, uma mistura de renascimento, mas sem cancelar o nascimento anterior, com uma leve “despersonalização”… Um direito obtido, mas tbm um sonho alcançado. Não posso dizer que agora posso andar pelo mundo inteiro sem problemas, pq ainda tem 2 problemas: o primeiro é que para andar pelo mundo todo é necessário dinheiro, o segundo é que, para o mundo árabe, prefiro ir com o passaporte brasileiro, e vestindo a camisa da seleção… hehe…
Bem.. o processo.. Não vou dizer aqui nada sobre como é o processo para obter a cidadania italiana, caso o interessado que aqui apareceu, descendente de italianos, esteja buscando algo do tipo. Se vc quer mesmo saber como fazê-lo, recomendo duas coisas: 1 procure informação nos respectivos consulados. 2- entre em contato com o Fabio Barbiero. O link pro site dele é www.minhasaga.org. Basicamente é o seguinte: se você achar que você vai vir para a Itália e vai resolver tudo isso facilmente, rápido e barato, então é muito provável que você esteja enganado. Se você quer mesmo economizar tempo, dinheiro, e saúde mental, procure o Barbieiro. também conhecido como Barbie…
Aproveito a oportunidade para agradecê-lo, e também à Kelly, sua sócia. Se vc está mesmo interessado, não hesite em contacta-los. Além de ser um sujeito muito amistoso e gentil, entende do assunto, e faz um trabalho honesto e correto, e, sinceramente, barato. Isso mesmo, barato. Isso eu disse para ele, e digo aqui tbm, publicamente. Espero que ele não aumente o preço por causa disso, e depois os futuros clientes venham me culpar por isso. Mas porque o digo?
Bem, imagine vc, que já conseguiu encontrar todos os documentos necessários, já os fez traduzir e legalizar, e agora só falta vir para a italia para fazer o processo. Ok, vc chega na italia brasileito, e deve encontrar um lugar para morar. Mas não é só morar, vc deve ter um contrato de aluguel que lhe permita fazer o que chamam aqui a “residencia”, ou seja, vc tem que ser devidamente inscrito na cidade onde está. Adianto que isso não é fácil. Com um pouco de sorte, depois de alguma coisa entre 15 dias e um mês vc talvez consiga uma bela alma que dê a vc, que caiu de paraquedas na italia, estrangeiro, sem trabalho e sem alguém que te garanta, ou seja, que garanta o pagamento dos alugueis, tal contrato. Bem, até lá, quanto vc terá gastado com hotel e alimentação? Colocando por baixo, digamos, uns 1000 euros. To colocando 20 dias a 50 euros o dia. Blz… ai vc encontra o apartamento, e agora vc tem que pagar o aluguel, por, digamos, mais 2 meses, muito pelo menos, sendo assim, pode colocar mais 1000 euros.. bem, já se foram 2000 euros. Enquanto isso, vc tem que resolver o quebra cabeças burocratico do processo, ir no comune, vigile e etc… etc… etc… Se tudo der certo, tudo mesmo, vc terá gastado uns 2500 euros na italia, enquanto o processo se resolve. Agora, se nem tudo da certo, vc gastará muito mais. Bem, entrem em contato com o Barbiero.
No dia que vc chegar na italia vc já terá um lugar de qualidade para morar, no outro dia já terá o pedido de residencia e, em média, com 2 meses já terá sua cidadania reconhecida, sem complicação, sem dor de cabeça, ainda por cima conhecendo pessoas que estão no mesmo barco que não é furado, fazendo amigos, trocando idéias, se divertindo e tudo mais. Por isso, novamente, agradeço de novo ao Barbiero e à Kelly, pela acolhida, pela atenção, e por tudo mais. E o meu caso não foi uma excessão, é a regra. Acompanho as venturas e desventuras do Barbiero desde que ele chegou na italia, a quantidade de problemas que ele teve, as furadas que ele entrou e as soluçôes que ele arrumou. Foi ele que providenciou para mim os documentos do meu antepassado italiano e quando chegou a hora de vir, apesar de todo aquele receio de se meter sabe-se lá onde, não tive dúvidas em contratar seus serviçoes e devo dizer que estou 100% satisfeito.
Aproveito e agradeço também às pessoas que cruzei no caminho e que espero encontrar de novo, e que foram sempre gentis e amáveis… Ao Gérson, à Heloisa, à Gizeli, ao Janes, que por 2 dias ou 2 meses, dividimos o ap, as estórias, a ansiedade e tudo mais… Ao Carlo, sogro da Kelly, que, já avançado em idade, nunca vou esquecer do dia que chegou de bicicleta pra me levar no supermercado pela primeira vez. E que além disso, ajudou em outras coisas mas principalmente contando estórias sobre os Etruscos da Toscana, ou sobre as aventuras do Enéias, sobrevivente de Troia que, segunda a lenda, é um dos primeiros colonizadores da penísula itálica e tantas outras… E também a todos os outros, que mesmo estando em “outros barcos”, mas que vão para o mesmo caminho, nos encontramos seja para uma pizza (sempre comemorando a cidadania de alguém) ou um vinho, ou então aquele restaurante com aquela comida gostosa q fomos sei lá onde… não me lembro mais… mas lembro da comida, sem dúvida!
Agradeço também ao consulado italiano de Belo Horizonte, que legalizou meus documentos, inclusive os escolares, prontamente, e que enviou a “non rinuncia” também em tempo justo. Ao Boechat, que foi buscar uns docs lá pra mim, ao pessoal do comune e principalmente ao Sr. Andrea Gianinni, oficial do comune, que é o cara que faz tudo acontecer.
Não posso esquecer de agradeçer tbm ao meu pai, que me transmitiui o sangue, o nome e um pouco da italianeidade que justifica tudo isso, e â minha mãe, que apesar de não ter feito o processo pelo lado materno, poderia tê-lo feito, e, assim, posso dizer que me transmitiu as mesmas coisas.
Um agradecimento muito especial, o mais especial de todos, e muito infelizmente post mortem, à minha amada avó, Ida de Tassis Beltrame, que mais que qualquer outro sempre fez a memória italiana uma coisa bem presente, seja no enterno sotaque que ela nunca perdeu, nas pequenas canções e versinhos que sempre recitava, seja na última vez que a vi, um dia antes de vir para a italia, enquanto ela me ensinava como dizer em italiano: “quero comer” (voglio mangiare), “tomate” (pomodoro), “arroz” (riso) ou “queijo” (formagio) - sem contar todos os tipos de macarrão que existem – em seu italiano com sotaque do Vêneto, em que o “g” é meio que “mudo”….. Uma típica preocupaâo de vó, que temia que seu neto passasse fome na italia!! A essa brava senhora, que infelizmnte faleceu 2 dias antes de eu assinar a documentação, meu mais profundo agradecimento, por tudo, e espero que um dia eu possa ter um pouco da serenidade e da força que ela sempre teve. Infelizmente, não vou poder entregar a ela pessoalmente o “formagio” que prometi, nem o terço com cheiro de rosas comprado no vaticano, mas acredito que agora ela não precisa de nada disso, e principalmente, que agora ela pode caminhar, enxergar e ouvir, melhor que qualquer um que esteja lendo essas linhas.
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Enfim, foi tudo muito rápido. Contando desde o dia que cheguei na italia, 5 de março, foram 67 dias. Mas na prática, foi menos, pq apesar de ter chegado dia 5, o processo só começou dia 11, pois antes quis dar uma viajada a Torino (Turim) e tal… e tudo já estava pronto no dia 28 de abril, só que nessa data eu tava em Madrid, na casa do Gazoo e da Gil, e só voltei pra italia no final da semana seguinte para assinar os papeis. Então, em realidade, foram 49 dias, ou seja, um mês e 19 dias. Nâo chega a ser um recorde, mas acho que tá na média boa.
Bem… é isso… agora eu tô em Torino de novo, dessa vez, pra encontrar um apartamento pra mim e pra dona patroa, pq dessa vez já é de mudança. Saibam que não é fácil, mesmo sendo cidadao italiano, me pedem contrato de trabalho ou algo parecido com o “avalista”… Mas… é uma boa oportunidade para praticar a tal serenidade…
Aos que esperam a continuação das estórias de roma, peço paciência….
Arrivederci a tutti!

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