Epistemologia da Patologia – Para a reflexão de um jovem médico
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Epistemologia da Patologia
Para a reflexão de um jovem médico
(dedicado ao meu cunhado)
Orador: “… não há razão para toda essa ´glorificação da natureza´, como se o ´natural´ fosse intrinsecamente bom. Basta lembrarmo-nos que terremotos, colisão de asteróides com planetas, o câncer e outros, são também fenômenos naturais …”
Ouvinte: “Pera-lá! Mas o câncer é uma DOENÇA!”
Orador: “Lhe explico agora o que é uma doença:
Suponhamos o seguinte cenário: o aquecimento global, associado a reações químicas não previstas nos nossos modelos científicos atuais, levou a uma radical diminuição na concentração de O2 na atmosfera terrestre.
Consequentemente, aqueles organismos cujos sistemas respiratórios não eram capazes de absorver a quantidade necessária de O2 do ar e manterem-se vivos, pereceram. Aqueles que eram capazes, sobreviveram. Darwinismo elementar. Em relação ao homo-sapiens, aconteceu algo curioso, também não previsto. Um conjunto minoritário da espécie humana, justamente aqueles que possuíam uma característica genética específica, que era conhecida até então como “trissomia 21″, cujos indivíduos possuem 47 cromossomos em cada célula, ao invés dos ordinários 46, além de todas as variações fisiológicas, anatômicas e comportamentais já descritas até então, possuíam também esta: seus sistemas respiratórios eram capazes de absorver muito mais oxigênio do ar que os sistemas respiratórios daqueles que só possuíam os 46 cromossomos.
Consequência: os homo-sapiens com 46 cromossomos morreram em massa. Os com 47 sobreviveram. Muitos anos se passaram, a civilização humana se reconstruiu sobre as bases desses 47 cromossomos.
No entanto, eventualmente ainda nascia um indivíduo com os 46 cromossomos. Infelizmente, o recém nascido não sobrevivia por muito tempo. Era incapaz de respirar. Portavam uma séria DOENÇA genética: tinham apenas 46 cromossomos em suas células. seus sistemas respiratórios não se desenvolviam o suficiente. Pobres infelizes…
Eis o que é uma doença!”
oss: embora os “fatos” aqui descritos sejam até então “ficção”, a lógica do argumento está perfeita e impecável, e é isso o que importa.

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