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WikiLeaks e a hipocrisia do mundo

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WikiLeaks e a hipocrisia do mundo

É incrível! Me chamam frequentemente de ingênuo, idealista… enfim, abestalhado. Assino embaixo, sou tudo isso. Se tem uma coisa que eu não sou, é o que chamam de realista. Por uma razão muito simples: não gosto da realidade.

Evidentemente, isso não quer dizer que eu não consiga enxergar a realidade. Pelo contrário, é justamente por conseguir enxergá-la razoavelmente bem, creio, que eu não gosto dela, e sou um idealista ingênuo e abestalhado.

Diz alguém de quem eu li a frase uma vez (nesses livros que publicam frases belas de gente importante), que há dois tipos de pessoas no mundo. Justamente, os realistas e os idealistas. Os primeiros, são aqueles que se adaptam, se ajustam à realidade. Os segundos, como eu, tem enorme dificuldade em se adaptar. São desajustados por natureza. No entanto, quando alguém “muda o mundo”, é sempre um desses idealistas.

Bem, eu também me acho medíocre. Apesar de arrogante, prepotente e tudo mais, sei muito bem “medir a mim mesmo”, (desde a adolescência, quando essas mensurações eram mais, digamos, concretas). E ao medir a mim mesmo, encontro isso: estou na faixa média. Mas isso não me impede de ser um idealista. Não é necessário ser um gênio para ser um. Existem gênios realistas e idealistas. Tenho medo dos primeiros, e admiração pelos segundos.

Pois bem. Então alguém, através e graças a essa maravilhosa ferramenta moderna, a internet, foi e está sendo capaz de revelar a mentira, a hipocrisia e a sujeira por trás do jogo do mundo. Esse sujeito, o Sr. Julian Assange, a meu ver é um herói! Está prestando um inestimável serviço à humanidade e à civilização, ao nos mostrar de forma documentada e inequívoca como se comportam esses que deveriam representar nossos interesses, ao nos mostrar, enfim, a hipocrisia que reina no assim chamado “sistema”.

Mas o incrível, é que agora esse sujeito é tratado como um bandido. “Todos”, exceto todos, o querem “preso”. Ontem, em um programa de jornalismo aqui na Itália, a jornalista conversando com alguns políticos italianos, chegou mesmo a lamentar a “fragilidade do sistema”. Em outros termos, para essa mocoronga, esse sistema falso, hipócrita e perverso, deveria ser mais forte!! Incrível! Será que ela ouve o que ela diz? Será que os milhares de jornalistas e formadores de opinião espalhados pelo mundo e que ecoam asneiras do mesmo gênero estão ouvindo o que eles mesmos estão dizendo?

Se sim, e mesmo assim o dizem, então o sistema é pior do que eu imagino. Se não, então o sistema é mesmo pior do que imagino.

Imagine, leitor: o Sr. Assange é procurado pela Interpol - a polícia internacional que não conseguiu prender o Salvatore Cacciolla enquanto ele não deu a bobeira de sair da Itália – sob a acusação de abuso sexual contra duas mocinhas. Ora bolas… imagine se isso é assunto para a Interpol… imagine se a Interpol resolvesse então procurar todo suspeito de estupro do mundo! Teríamos o maior concurso para vagas de emprego para policial internacional na história desse planeta! Simplesmente, ridículo…

O fato é o seguinte: uma reforma política global é necessária e urgente. Não essas reforminhas ridículas que se propõem em congressos aqui ou ali, essas conversas de “partido” e etc… Isso tudo não é nada e a rigor, não muda nada.

Eu já disse, e repito: a democracia representativa é ultrapassada, desnecessária e perniciosa. Não precisamos mais disso. Eu não preciso mais disso, e você, leitor, também não. Isso só serve para criar essa casta que sustenta esse mesmo “frágil” sistema que nos transforma em gado.

Viva a internet! Viva WikiLeaks, e viva Julian Assange. Quem tem que ir para a cadeia é a Hilary Clinton, o Bush, o Berlusconi, e muitos outros… O Lula, a Dilma, o Chaves e o Morales… bem, é melhor que eles leiam esse post.

O alimento da vida é a morte, epílogo: pensar e escrever

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O alimento da vida é a morte, epílogo: pensar e escrever

Às vezes penso escrevendo. Isto é, o ato de escrever interage com o ato de pensar de forma tal que tanto o texto quanto o raciocínio progridem ao mesmo tempo. Quando isso acontece, e quero tornar público o resultado do pensamento, isto é, o pensamento materializado em um texto, faço um post. Quando não quero tornar público, simplesmente enfio em algum lugar do HD.

Mas às vezes também escrevo sem pensar. E aí o resultado, o produto final, é incerto. Pode sair um texto que eu mesmo qualifico como uma grande asneira, ou pode sair um texto que eu mesmo qualifico como um dos meus melhores. Em ambos os casos, pode demorar um tempo para que eu tenha a percepção de se tratar de uma asneira ou de um bom texto. É que o pensamento vém depois, e alcançando o texto, me faz descartá-lo, por reconhecer nele uma asneira, ou então guardá-lo (e eventualmente publicá-lo, quando me parece bom como está) para futuras modificações. Há dezenas nessa espécie de limbo no meu HD.

No entanto, às vezes penso sem escrever. E aí a situação é a mais complicada. Na maioria das vezes, é quando o pensamento vai mais longe e profundo, por não ser atrasado pela lentidão dos músculos e articulações das mãos e dos dedos. Também é quando ele se articula melhor, pois não preciso ir e voltar procurando as melhores palavras, ou construindo uma estética literária. É quase pensamento puro, seguindo única e exclusivamente seus próprios ditames. No entanto, o produto final não é material.

Em outras palavras, não há um texto no final. E geralmente, depois de um lapso de tempo entregue a uma determinada linha de raciocínio, alguma coisa se modifica na minha percepção das coisas entre o início e o fim dessa linha de raciocínio. Mesmo que seja uma modificação infinitesimal, não importa. Uma modificação há. O problema nasce justamente do fato que, depois de ter pensado o que pensei e chegado onde cheguei com meu pensamento, não há mais necessidade de escrever.

Em outras palavras, escrever passa a ser uma tarefa ingrata, desnecessária e laboriosa, que não oferece nada em troca a não ser um pequeno produto material que, dependendo do contexto e das intenções de cada um, pode até ter uma certa utilidade, mas em geral, simplesmente não é necessário se considerarmos a finalidade do pensamento em si.

É até possível reconstruir o pensamento, voltar ao ponto de partida e contar a estória do passeio, como se ele estivesse acontecendo no “aqui e agora”. Reconheço que provavelmente haja quem goste de fazer isso. Eu não. Quando o faço, é única e exclusivamente para satisfazer a uma demanda externa, ou a alguma vaidade. Além disso, é pouco provável que reconstruindo a linha do pensamento, não sejamos também tentados a enveredar por toda e cada estrada lateral que se abra, o que pode tornar a escritura ainda mais laboriosa, embora por vezes ajude a ampliar e aprofundar o pensamento.

Porque faço essas considerações? Porque a alguns dias atrás iniciei o que eu acreditava que seria uma série de posts sobre um documentário chamado Zeitgeist. Pretendia escrever 4 ou 5 posts abordando os temas do comentário. Escrevi dois. Um preâmbulo, e um outro post sobre o primeiro tema do comentário, o menos importante.

Sobre os outros eu não escrevi, eu pensei. E pensei praticamente tudo, ou pelo menos o essencial do que deveria pensar, e agora não tenho mais vontade de escrever. A modulação vocal é sem dúvida menos laboriosa e cansativa que o exercícios dos músculos e articulações das mãos, portanto, tenho disposição para conversar sobre o documentário. Tenho até mesmo disposição para escrever sobre ele, se for em pequenos comentários. No entanto, acho pouco provável que retome o projeto orginal e escreva os posts articulando tudo o que pensei.

Em outras palavras, se algum visitante deste blog espera ainda a continuação dos posts, lamento. Acho que não continuarei. Acho… No entanto, se você assistiu ao documentário e quer “interagir”, os comentários estão abertos e eu quase sempre respondo.

Mas para não ficar no absoluto vazio, deixo aqui duas idéias que sintetizam a essência de minhas reflexões:

1- sim, dinheiro é dívida. Já cheguei a pensar que o capitalismo era genial por ter sido capaz de converter um objeto em um valor numerico, como faz a ciência, por exemplo. Isso, sem dúvida, torna a troca de mercadorias muito mais simples, justa e eficente que o escambo. No entanto, o capitalismo chegou ao ponto de fazer do próprio capital um objeto que pode ser convertido em um valor, o que se chama “crédito” e que implica necessariamente em dívida. Essa é a essência da sociedade capitalista hoje: a dívida. E por essa dívida somos escravizados. No entanto, tudo isso é um grande sonho, uma grande ilusão, coditianamente alimentada e retroalimentada pelos mecanismos de mídia e instituições de poder que fazem parte do conjunto dos que se beneficiam desse sonho. Vivemos como em “matrix”. Um grande sonho coletivo.

Quando eu era mais jovem, costumava ter a seguinte fantasia: “e se amanhã, quando o mundo acordar, não houver mais dinheiro? Se aquele dinheiro da sua conta bancária, do seu bolso, enfim, todo e qualquer dinheiro, simplesmente, não existisse mais? O que impediria o médico de ir clinicar, o pedreiro de ir construir, o professor de ir ensinar, e o comerciante de passar adiante as mercadorias?”

Sei que é ingênuo, mas me diga, o que impediria? Não vou desenvolver todo o assunto, evidentemente, pois aí estaria “escrevendo” meu “pensamento” e já disse que não quero fazer isso. Vou direto ao fim: a rigor, nada. De fato, não há nada que impessa que todos continuem suas atividades. Haveria apenas uma pequena modificação. Estaria fora das “razões pelas quais faço o que faço” o ítem: “ganhar dinheiro”. Evidentemente isso implicaria em mudanças radicais na condição humana, que no momento, não vejo possíveis a não ser através da engenharia genética, ou da intervenção divina. Creio pouco na possibilidade efetiva de uma revolução cultural, o que não quer dizer que não esteja disposto a contribuir para ela.

Uma outra pergunta: “ok, posso entender que um médico continue exercendo a medicina por puro prazer, e até mesmo que um comerciante saia pela cidade distribuindo bens, mas acho particularmente difícil entender que um trabalhador braçal, um gari, por exemplo, vá varrer as ruas de livre e espontânea vontade, por puro prazer!”. Ora, quem é você leitor, que diz isso? Acaso és Boris Casoy????????? Não importa. Se ninguém quiser fazê-lo, colocamos máquinas para fazê-lo! E os “ex garis” podem passar seu tempo com a famíllia, se dedicando a outras atividades, algum esporte, estudo… talvez se tornem os engenheiros que criaram as máquinas… enfim… Se o professor não tem porque parar de ensinar, não tem porque o gari não ir estudar!

“Ah sim, mas, ok, não existem ferraris para todo mundo, o que você vai fazer então, supondo que a quantidade de pessoas que querem uma ferrari é muito maior que a quantidade de ferraris disponíveis?” Esse é o mais simples de se resolver: pegamos a fábrica da Fiat, por exemplo, a fabrica da Peugeot também, e da Volks Wagen, e ao invés de ficar produzindo uno´s, gol´s, 206´s e essas porcarias, passamos a produzir ferraris! A materia prima é a mesma, o tempo é o mesmo… enfim… Simplesmente, não há nenhuma razão real que impeça. O problema é que se todo mundo tiver uma ferrari, a ferrari deixa de ser ferrari, sacou? E é aí que entra a engenharia genética ou a intervenção divina!

2- A solução apresentada no documentário é bobinha. Parece que o “cabeça” desse negócio leu Walden II, e saiu cheio de idéias mirabolantes. Bem, eu já “escrevi em meu pensamento” o Walden III, que é evidentemente uma continuação de Walden II, aproximadamente 50 anos depois. Em outros termos, a Walden II dos “netos” de Frazer (entre aspas, claro!). Mas o problema, em síntese, é mais ou menos assim: a sociedade em que vivemos, embora não seja “natural”, no sentido próprio do termo, evoluiu em função de forças que ao menos se assemelham ao “natural”.

Isso é particularmente estranho, se pensarmos que nos cremos inteligentes e racionais e que, ainda assim, temos muita dificuldade de “planejar” e fazer acontecer uma estrutura social racional, absolutamente pensada e projetada em seus detalhes mais importantes. Skinner faz isso, mas ele é ingênuo, assim como o Sr. que “encabeça” o movimento “zeitgeist”.

Na prática, seus projetos muito provavelmente sairiam pela culatra, degenerando numa espécie de facismo do pior tipo: justamente o tipo que não pode ser reconhecido como facista, por parecer “racional”. A questão é justamente o problema do gerenciamento. Seja como for, uma sociedade deve ser gerenciada. Atualmente, ela é gerenciada pelos interesses do capital. Platão já havia sonhado com uma república gerenciada por filósofos, e o passo de Skinner foi simplesmente o de mudar o “filósofo” pelo “cientista”, e todos os outros elementos colaterais. O que indica que o “saber” do gerente não é absoluto, e o que pode parecer certo hoje, se revele errado amanhã, e imprimir essa condição à toda a sociedade pode ser catastrófico.

Além disso, seja quem for o gerente, ele teria que lidar com interesses diversos, e inclusive conflitantes, mesmo excluindo o capital da jogada. Cito um exemplo extraído do próprio documentário, relativo ao transporte público. O documentário afirma que o transporte aéreo não é ideal, e que o uso de trens de alta velocidade é mais eficiente. Mas, como assim? Existe uma equação matemática que demonstra isso? E essa equação está certa? E eu serei convencido por ela? Se sim, será que é porque ela é convincente em si mesma ou será que é porque eu fui “condicionado” a ser “convencido” por equações matemáticas? E mesmo que uma equação matemática o demonstre, para o momento atual, será que se concentrarmos nossos esforços no desenvolvimento da tecnologia aeronáutica ao invés de construir redes de trens não obteremos um resultado melhor no final? Enfim, quem decide isso? Quem tem a última palavra? Corremos o risco de nos tornarmos reféns, não dos interesses financeiros de uma elite, mas dos preconceitos e da ignorância de alguns engenheiros e cientistas. É trocar alho por bugalho, enfim.

Apesar do que disse acima, que é só uma pequena amostra do que há para dizer e discutir, há um fato que não posso deixar de salientar: a democracia representativa (aquela onde um “eleito” representa os interesses de uma parte da população) simplesmente não faz mais sentido. Não só não faz mais sentido, como é absolutamente dispensável e descartável no atual momento histórico que vivemos. A internet já elegeu presidente, já minou as bases das oligarquias da comunicação e o próximo passo a ser dado, desejo eu, é que ela possibilite, de vez, o extermínio da classe política.

Porque o alimento da vida é morte? Porque é graças à morte do outro, seja o outro um animal ou um vegetal, que você está vivo meu caro! Daí a engenharia genética, ou a intervenção divina. Mas, não me recuso a tentar uma revolução cultural, até porque, se não tentarmos, nunca saberemos!

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