O Lula e o comunismo
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O Lula e o comunismo
(é um pouco comprido, então, por favor, um pouco de paciência. Para os eleitores do Serra, que normalmente não gostam de ler, lamento, não sei como dizer o que segue com um vídeo de 3 minutos)
O presente post/email tem destinatários precisos. Trata-se dos integrantes daquele que em post anterior eu chamei de “grupo 4”. Ou seja, repetindo minhas próprias palavras: “Os que rejeitam o PT, especialmente o Lula, por este ter ´traído´ seus ideais originais ou suas raízes, se ´vendendo´ às ´forças´ obscuras …”.
Em primeiro lugar, vou fazer uma reflexão pessoal a respeito de um assunto que tem muito pouco haver com política, mas que permite através de uma analogia introduzir meu argumento. Em seguida definirei alguns termos e, enfim, tratarei do assunto de fato.
Existe uma banda gospel que eu gosto muito, desde meados de minha adolescência, e que eu posso dizer que compôs boa parte da trilha sonora de minha vida. São muito poucas as bandas que, hoje, me fariam sair de casa para me deslocar alguns kilometros que sejam só para assistir a um show. Essa é uma delas. Para minha sorte, há mais ou menos 2 meses atrás, nem foi necessário (como já foi antes) me deslocar muitos kilometros para fazê-lo. Em menos de meia hora, saindo de casa, estavam eu e minha patroa lá, no Estádio Olímpico de Torino, para assistir ao show da turnê 360º do U2. Nem preciso exaltar as qualidades do show. Fizemos uns videozinhos, que, em tempo, ponho no YouTube.
No entanto, o que eu quero destacar é o seguinte: uma espécie de “transição” que muitos apontam na história do U2, muito bem localizada, entre os álbuns “The Joshua Tree” e “Pop”, e que tem no meio do caminho, o álbum “Achtung Babe”. Como não poderia deixar de ser, entre os “fãs” e admiradores, nessa época, falava-se muito que o U2 teria “se vendido”, “se tornado uma banda comercial”, e outras coisas do gênero (o mesmo, também, foi dito, por exemplo, em relação ao “Black Album” do Metallica, e tantos outros. É normal esse discurso). No caso do U2, um dos argumentos era o de que o U2 teria incorporado elementos “eletrônicos” em suas musicas, teria ficado demasiado “multimídia”, enfim.
Como já disse, é uma coisa normal, especialmente se pensarmos que o público principal é de jovens e adolescentes, na maioria das vezes ainda muito marcados pela cultura das “tribos”, que separa, por exemplo, os “do rock” dos “da discoteca”. Ou, mais radicalmente ainda, os que acreditavam gostar da “música visceral” contra aquela que por estes era chamada de “música comercial”, e coisas assim.
Em relação a essa última distinção, em especial, não pretendo dissolvê-la. Mas coloco uma pergunta elementar: porque alguém gravaria uma música ou um CD ou, pra ser mais “genérico”, um “álbum”, se não tivesse intenção de vendê-lo? O que é, de qualquer forma, ainda muito diferente de um “produto de gravadoras” (que, felizmente, com a internet, tende a se tornar também uma espécie em extinção). Um produto de gravadoras é, basicamente, uma carinha (ou um conjunto de carinhas) bonitinhas que são postas à frente de um kit automatizado, fruto de uma minuciosa pesquisa de mercado, para vender discos. O “artista”, aí, é só a bola da vez. Seria fácil citar exemplos, mas… deixa pra lá.
O que é importante dizer é que, mesmo os mais radicais artistas “contra o sistema”, precisam trabalhar dentro do sistema. E um eventual sucesso dentro do sistema, não é necessariamente uma “rendição” ao sistema. Outro exemplo: é muito pouco provável que alguém possa dizer que o grupo de Rap “Racionais” seja “a favor do sistema”, porém seu sucesso é inegável. Eu mesmo, gosto muito, e talvez me desloque alguns kilometros para assistir.
Pois bem, voltando ao U2. É até um pouco esquisito pensar assim, porque, se a gente olha bem, a gente vê que o grande sucesso da banda, o “estouro”, digamos assim, veio justamente com o álbum “The Joshua Tree”, que foi em grande medida, feito para o “mercado americano”, e que culminou com a turnê “Rattle and Hum”. É até mesmo possível perceber, do primeiro álbum até este, uma diminuição do sotaque “irlandês” até chegar a um inglês mais “universal”. Além disso, “The Joshua Tree” deixou o U2 podre de rico.
E aí eu me coloco outro problema. Suponhamos que eu seja um empresário, um industrial, digamos, e que tenha uma certa paixão pelo que eu produzo. Pensemos sobre um exemplo concreto. No caso, pensemos que eu seja um fabricante de aeronaves. Ok, minha subsistência e a da minha empresa dependem de eu vender aeronaves, certo? Logo, as aeronaves que eu fabrico, devem de alguma forma servir ao mercado, devem ser vendáveis. No entanto, suponhamos que no meio do caminho, por alguma razão, eu fique muito rico, mas muito rico mesmo. Seja por alguma sorte inesperada, seja pelo sucesso de minha empresa. Mas tão rico, que eu não precise vender mais nenhuma aeronave para ficar vivo e manter uma padrão de vida satisfatório até a 4 geração. Isso, sem dúvida, me daria muitas liberdades. Em primeiro lugar, minhas aeronaves não teriam mais que sempre satisfazer ao mercado. Eu poderia fazer experimentos, poderia desenvolver coisas sem a mínima intenção de vendê-las, mas tão somente para satisfação pessoal, ou ainda, desenvolvimento técnico. Quero dizer, livre do mercado, eu poderia me dar alguns luxos. E não é improvável, que com isso, eu consiga até mesmo expandir meu mercado, na medida em que o fruto de minhas experimentações puderem ser incorporados aos produtos “vendáveis”. Qualquer grande empresa de aviação, por exemplo a Boeing, que pode se dar luxos, tem um setor só de “research and development”, em que eles gastam bilhões para fazer coisas que não vendem… Se chama “phantom works”, no caso da Boeing. Enfim, é muito esquisito que justamente no momento em que eu me torno independente do mercado, eu vá me vender ao mercado…
A minha modesta opinião é a de que o U2, ao contrário de ter “se vendido”, amadureceu. Ficou melhor produzido, incorporou elementos novos, se desenvolveu, sem perder o “filo” central.
Bem, acho que consegui expor o conteúdo “analógico” do meu argumento. Agora, então, passemos ao conteúdo de fato. A pergunta é: o Lula e o PT “se venderam”?
Quem defende que sim, aponta justamente o contraste entre o Lula dos tempos sindicais e o Lula atual. Em tese, o Lula dos tempos sindicais seria uma Lula mais radical, um revolucionário, disposto a subverter as bases do capitalismo no Brasil e implantar um sistema “comunista”. É curioso que isso que é ainda o anseio e a decepção de tantos que “não votam no PT”, é o temor de outros que “não votam no PT”.
Vamos a algumas definições e esclarecimentos:
Em primeiro lugar, comunismo não se opõe a democracia. Comunismo se opõe a capitalismo. O que se opõe a democracia é, por exemplo, monarquia, aristocracia, ditadura… No caso da democracia, da monarquia e etc, estamos falando de “regimes políticos”, sobre o “jogo do poder”. No caso do comunismo e do capitalismo, estamos falando de “regimes econômicos”, isto é, da circulação e distribuição das riquezas.
É claro que um se liga ao outro de formas muito claras, pois normalmente, o poder se concentra onde se concentra a riqueza. Mas vamos devagar, voltemos ao comunismo.
Em segundo lugar: NUNCA NA HISTÓRIA DESSE PLANETA EXISTIU UM REGIME COMUNISTA. É muito importante que isso fique bem claro ao leitor, por isso fiz a indelicadeza de usar letras maiúsculas em uma frase inteira. A União Soviética nunca foi comunista, nem Cuba, nem a China. O que existiu e ainda existe em Cuba, e parcialmente ainda na china, foram regimes políticos ditatoriais, opressores e oligárquicos, em que a riqueza, e no caso, consequentemente o poder, se concentrou extremamente na mão de muito poucos, e a grande maioria foi submetida a uma situação de alienação e subserviência a troco de um nivelamento muito por baixo. Na verdade, isso não é outra coisa que um regime de “extrema direita”, com absolutamente nada a ver com o comunismo propriamente dito. Em outras palavras, a forma mais selvagem possível de capitalismo.
O comunismo propriamente dito, o que é? Em primeiro lugar, é uma “Utopia”, um sonho. Arrisco até a dizer que tem raízes no cristianismo, se pensarmos, por exemplo, na organização da igreja primitiva, quando aqueles que nela entravam, eram solicitados a dispor de todos os seus bens para o conjunto da comunidade. Um tipo de organização muito, muito diferente das igrejas modernas. O “dízimo” não era de 10%, mas de 100%.
Muito tempo depois vem o Marx. Confesso que nunca li “O Capital”, e só o conheço indiretamente. Mas não creio estar enganado a respeito do que vou dizer a respeito das teses de Marx. Em primeiro lugar, não me parece que para Marx o comunismo seria uma “alternativa” ao capitalismo, mas sim o “produto final” do capitalismo. Em outros termos, o comunismo só poderia existir no momento em que o capitalismo chegasse ao seu extremo, seria a cria quase inevitável dos últimos estágios do capitalismo, de sua crise e colapso. Assim, o regime comunista só poderia ter o epicentro de seu surgimento onde o capitalismo estivesse em seus estágios mais avançados. Logo, jamais na União Soviética, em Cuba ou na China, países que, na época, eram países basicamente agrários. O candidato mais provável, na modernidade, não é outro que os Estados Unidos. E já salientei em algum comentário por aqui, que todo a “repressão” interna ao “comunismo” que houve nos Estados Unidos na época da guerra fria é particularmente interessante nesse sentido, pois, como sabemos, o “recalcado” sempre volta…
Por fim, não é possível a existência de um país ou “bloco” comunista. A tese é: ou todos são, ou nenhum é. Na verdade, o comunismo abole inclusive a idéia de “país”. Ou seja, o comunismo só pode ser um fenômeno global. Além disso, ao menos Marx, não esperava que “a revolução comunista” surgisse das classes dominantes. Pelo contrário, para Marx, só poderia surgir da classe proletária, pois justamente por ter sido amplamente oprimida e privada de todas as ilusões do capitalismo, seria essa a classe na situação adequada para “realizar” de forma mais plena a condição humana. Por isso o “slogan”: “operários do mundo, uni-vos!”. Ou seja, não é “operários da União Soviética”. Não é “operários do Brasil”. Mas do mundo. E o “uni-vos” implica em “comunicai-vos”. Coisa absolutamente impensável antes da internet.
O Lula era comunista? Não me lembro de nada que indique isso, exceto a “propaganda” anti-Lula da época. É verdade que durante a ditadura militar no Brasil, surgiram organizações “comunistas”, provavelmente apoiadas pelos regimes soviético e cubano. Mas também não é difícil entender, se o leitor me permite uma extrapolação epistemológica, que “uma ação gera uma reação de mesma intensidade e em sentido contrário”. Sabemos muito bem que nessa época, o mundo era o palco da guerra fria, e países e povos inteiros foram divididos e dilacerados pelas ambições americanas e soviéticas. E também é natural compreender que aqueles que estivessem sendo “oprimidos” pelo regime “atual”, depositassem suas esperanças “no outro regime”. Ainda mais se pensarmos que uma parte significativa da propaganda do “outro regime”, incluía discursos socialistas, em favor de justiça social e distribuição das riquezas.
Uma palavrinha sobre o termo que usei acima, o “socialismo”. O socialismo não é nem um regime político e nem um regime econômico. O socialismo é, digamos, uma “bandeira”, um conjunto de ideologias e filosofias que interagem e se incorporam em regimes políticos e econômicos, e que tem como principal linha de frente a idéia de “justiça social”. Assim, não vejo porque não ver o Lula como um socialista, do princípio até hoje. Mas não vejo nenhuma razão para ver as ideologias do PSDB como socialistas, apesar do S. E também não vejo como ver o Lula como um “comunista”.
Pelo contrário, o Lula liderava sindicatos de trabalhadores em defesa de direitos. Essa simples frase contém muita coisa. “Em defesa de direitos” implica o jogo e as regras do jogo. Da minha boca, já saiu muitas vezes a expressão: “é impossível ganhar o jogo de quem tem o poder de mudar as regras do jogo durante a partida!”.
O jogo, é o jogo político e econômico. Nomeando, a democracia e o capitalismo. O que implica em constituição e direito. Alguém aí já experimentou jogar qualquer jogo com uma criança e percebeu que esta tende a “inventar” novas regras durante a partida para se favorecer?
Pois então, é essa a base do meu argumento. Como eu posso “lutar contra a injustiça” do jogo, se meu adversário é quem “faz as regras do jogo”? No momento em que ele perceber que pode perder, inventará uma outra regra para se beneficiar e me prejudicar. A conclusão praticamente óbvia é a de que: “para vencer, é necessário jogar fora das regras”, enfim, “não jogar o jogo”, ou, em outras palavras: “dar um golpe, jogar o tabuleiro no chão, fazer uma revolução”, o que, frequentemente, implica em pegar em armas.
Vimos isso em 1964, e vimos também um anseio por isso depois de 1985. No primeiro caso, os adversários não conseguiram mudar as regras a tempo, e tivemos uma “revolução democrática” pelo avesso. No segundo caso, o “anseio” não tinha uma contrapartida na realidade. De fato, não era necessário e, como dito acima, não seria sequer possível.
Reconheço: eu, reconhecido e eterno imaturo, cogitei muito essa virada de mesa.
Então, o que resta? Jogar o jogo… O fato é que o Lula é um grande jogador. Ao longo do tempo, assim como no caso do U2, a meu ver, amadureceu, aprendeu a jogar mais e melhor que seus adversários. Ninguém esperava que o “anarfa” fosse capaz de jogar o jogo do capitalismo e da democracia melhor que os velhos caciques e “experts”. Ele se tornou um mestre nesse jogo, que faz roerem-se de inveja seus adversários, inclusive no cenário internacional.
Além disso, e aqui recoloco um tema ao qual já aludi em post anterior: existem maneiras diversas de “lidar com o capitalismo”. O Lula nunca deixou de ser “socialista”, no sentido definido acima. Outro dia desses, enquanto tentava dar uma cochilada à tarde e minha amada esposa – para quem eu dedicaria a música “Original of the Species” do U2, se ela fosse minha – fazia pesquisas na internet, ela me acordou e me disse: “Olha só, aqui tem uma entrevista com o Abílio Diniz dizendo que vota na Dilma”. Estranho né? Um dos caras mais ricos do Brasil, que tem de tudo para “temer” o comunismo, apoiar o Lula e votar na Dilma. Mas é simples de entender quando você se dá conta de que seu principal negócio é a venda a varejo. Ele é proprietário da maior rede de supermercados do país, simplesmente, e o apoio dele ao Lula e à Dilma não tem que ser porque ele tem bom coração, mas porque os lucros dele agora estão maiores. Seus supermercados vendem mais, porque apesar dele ter que pagar salários maiores aos seus funcionários, as pessoas compram mais, e o lucro líquido acaba sendo maior.
Em outras palavras, o Lula conseguiu fazer um cara como o Abílio Diniz ficar feliz, ao mesmo tempo em que conseguiu fazer um cara como o “João da Silva” ficar feliz. Ou seja, a atitude do Lula para com o capitalismo não é aquela de subverter a ordem, dar calote na dívida e etc. Mas de promover a ordem e a distribuição das riquezas e pagar a dívida. Ele não quebrou as regras do jogo, ele jogou o jogo segundo as regras, e tá ganhando de braçada. Ele deu valor ao que praticamente todos antes dele não deram, e que temo que, retornando ao poder, continuarão não dando, porque ou são burros, apesar de seus diplomas, ou são canalhas mesmo. Deu valor ao cidadão comum, pobre. Fez os ricos verem que essa massa tem muita força, e que se essa força for valorizada, todo mundo sai ganhando. Com Lula, os pobres, ao invés de “reserva de mão de obra”, garantia perene de baixos salários, se tornam força produtiva, alavanca para o desenvolvimento do país.
Leia com muita atenção essa última frase leitor, porque eu acho que ela é a essência da diferença entre o modo como Lula joga o jogo, do modo que praticamente todos antes dele jogaram. Tá bem perto, mas vou repetir, e esclarecer melhor: com Lula, os pobres, ao invés de “reserva de mão de obra”, garantia perene de baixos salários, se tornam força produtiva, alavanca para o desenvolvimento do país.
O que quer dizer reserva de mão de obra? Trata-se de um dos mais cruéis mecanismos do sistema capitalista. Resumindo: “Ok, se você não quer trabalhar pelo que eu te pago, pode ir embora, ali fora tem uma fila esperando para entrar no seu lugar”. Em outros termos. Se eu mantenho uma massa de miseráveis, que não tem nada, posso praticar salários de esmola aos meus empregados, de forma que caso eles se “revoltem”, tenho a garantia de que posso encontrar, entre os que estão piores do que eles, os miseráveis, a mão de obra necessária para meus empreendimentos. A “reserva de mão de obra” é o que garante os baixos salários. É a velha lei da “oferta e da procura”. A massa de miseráveis constitui uma enorme “oferta de mão de obra”, o que, evidentemente, diminui o seu valor.
Isso é muito claro, por exemplo, em países onde o “fluxo de imigração” é grande. Onde os “nativos” não querem mais lavar prato, fazer faxina. Esse é o trabalho que sobra para os “imigrantes”. Aqui na Itália, em grande maioria, de origem africana, a “Grande Reserva de Mão de Obra do Mundo Capitalista”. Se todos os operários da FIAT hoje disserem: ou aumente o meu salário, ou eu me demito, o dono da FIAT demite todo mundo e vai lá na Africa e contrata novos funcionários (caso não hajam mecanismos do estado favoráveis aos cidadãos italianos, o que tem acontecido com o governo neoliberal de direita do Berlusconi). Essa é a lógica cruel do negócio. E ainda assim, esses imigrantes preferem ser pobres na Itália, do que ser pobres em Angola, ou na Eritréia.
Como eu disse, o que o Lula viu e nos ensinou, é que se ao invés de “reserva de mão de obra” essa população for incluída na cadeia produtiva, isso só tem uma conseqüência: alavancar o desenvolvimento, e é isso o que explica o que aconteceu no Brasil nos últimos 8 anos e, espero, continue a acontecer.
Então, na minha modesta e humilde (sic!) opinião, e com base na minha memória, não me parece que se possa dizer que o Lula se vendeu. Pelo contrário, me parece que ele amadureceu, aprendeu o jogo, e deu um show em seus adversários. Collor, Sarney e outros detalhes são conseqüências inevitáveis do fato de nós, eleitores, não termos seguido esse amadurecimento, e termos mantido essas pessoas por lá, obrigando o Lula a jogar o jogo com eles também que, hoje, tentam “pegar carona” no sucesso do Lula, simplesmente.
É verdade, o mundo é injusto, o sistema é injusto. Há o lado de cima e o lado debaixo da moeda, e não é todo mundo que larga na primeira fila. Pelo contrário, entre a primeira fila e as outras, existe um abismo. Eu, particularmente, não acredito em comunismo pelas vias de uma revolução política. Acredito no Reino de Deus, e só. Agora, se mesmo assim, o leitor decepcionado com a revolução comunista que não veio não foi convencido pelos meus argumentos, eu deixo uma perguntinha muito simples:
Você prefere ser pobre na Somália ou ser pobre na Noruega?
Em tempo (assuntos não abordados por preguiça, mas que merecem ao menos um enunciado):
Hugo Chaves não é “de esquerda”, mas de extrema direita.
Antes de Evo Morales, o presidente da Bolívia nem falava espanhol, mas inglês (eu atravessei a Bolívia de ponta a ponta com 30 dólares, incluindo transporte, hospedagem e alimentação (um trabalhador em São Paulo, entre transporte, alimentação e cafezinho, gasta isso em 2 dias), e no qual, na praça central em La Paz, em frente ao Palácio do Governo, um caucasiano (não um “índio”) me ofereceu cocaína em inglês)…
Boa notícia: Depois de tanto solicitar, já me apresentaram 2 “argumentos” favoráveis a Serra. Um, é um texto, aparentemente do FHC, e ao qual eu vou responder ainda esse fim de semana. O outro argumento, é fruto de um “disse me disse”, mas que merece uma certa atenção. Aparentemente alguém ouviu uma senhora reclamar num supermercado da vida, dizendo o seguinte: “É… tá difícil… do jeito que as coisas vão, com o salário mínimo desse jeito, daqui uns dias já não vou ter como pagar a empregada!”… Pois é… tem gente que ainda não aboliu a escravatura… Na maioria dos países de “1º mundo”, quase ninguém tem condições de “pagar empregada”!

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